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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Pablo Neruda



"E desde então, sou porque tu és
E desde então és
sou e somos...
E por amor
Serei...Serás...Seremos..."



Pablo Neruda

"Os Versos que te fiz"



"Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.


Têm dolência de veludos caros, 
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!


Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!


Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu não te dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!"


Florbela Espanca

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

AJUDA

Há dias em que penso que TODOS nós deveríamos praticar mais o sentido de humanização para com o próximo, isso acentua-se mais em mim quando passo pela baixa de Lisboa e os meus olhos deparam-se com a miséria, a humilhação de quem vive na rua, por não ter para onde ir, o que comer e/ou o que vestir.
Aflige-me ver o sofrimento de pessoas idosas a passarem fome, frio, a implorarem ajuda...Faz-me pensar que tipo de "animais somos nós" para termos permitido que chegássem até aqui.
Deveríamos dar o exemplo, a uma sociedade que vive de palavras sem sentido e uma nulidade de actos, fazendo o que ainda não foi feito.

Por isso, aqui vos transcrevo um artigo que li, no JN de 22 de Julho, esperando que a vossa ajuda chegue até quem mais precisa, no jogo de passa-a-palavra e solidariedade. Obrigada!



"ASSOCIAÇÃO PEDE AJUDA PARA ALIMENTAR 300 PESSOAS"

"A ANAP (Associação Nacional de Ajuda aos Pobres), do Porto, está a tentar angariar fundos para a construção de uma cozinha e um refeitório, onde se esperam vir a alimentar as 328 pessoas que já constam da lista de inscrições.
A funcionar há cerca de um mês e meio no n.º 63 da Travessa de Monsanto, a ANAP viu o antigo refeitório encerrado por falta de licença e foi multada em mais de 2000 euros. A Associação deixou de poder servir refeições, mas continuou a ajudar os seus utentes com sandes e cabazes para levarem para casa. As antigas instalações estão agora a ser "pintadas e arranjadas para servirem de abrigo a jovens mães e a vítimas de maus tratos", como explicou Claudina Costa, directora da ANAP.
Os custos de construção da cozinha e do novo refeitório rondam os 23 mil euros, que se somam aos 3500 de renda mensal do espaço. A Associação não tem qualquer apoio do Estado e "sobrevive com donativos de particulares e de empresas".
O projecto "Casa de Abrigo", além de pretender alimentar mais de 300 pessoas, vai ter também um posto médico e de enfermagem, liderado por um médico e enfermeiros voluntários, um gabinete com um advogado, para dar orientação aos utentes, e balneários, onde os sem-abrigo podem tratar da sua higiene.
Para angariar os fundos necessários, a instituição já organizou uma iniciativa de karaoke e uma noite de fados. Para amanhã, está marcado, das 15h às 20 horas, no Pavilhão Rosa Mota, um concerto de beneficiência com a presença de vários grupos musicais, entre eles Trocopasso, participante no Festival da Canção.
Os bilhetes custam 5 euros e podem ser comprados nas bilheteiras do Palácio de Cristal ou nas instalações da instituição.
Foi também criada uma linha telefónica (760 501 514). Parte do valor reverte a favor da Associação."


Acho que apesar de já ter passado o dia do concerto, qualquer pessoa pode ajudar fazendo uma chamada.
Tenho pena é que considerem cidadãos com deveres e obrigações e esqueçam os direitos, as pessoas que vivem em extrema pobreza e muitas das vezes em condições degradantes e humilhantes, só na altura das eleições, porque isso sim é que é verdadeiramente importante na mente do Poder.
É lamentável ainda ver a quantidade de pessoas que fecham os olhos à pobreza que se cruza com elas, pelas ruas de Lisboa ao longo de todo o ano...
Lembremo-nos de que TODOS somos seres humanos e que o nosso próximo merece ser tratado como tal, com dignidade e respeito.


Cristina Espalha
01.Agosto.2011

sábado, 23 de julho de 2011

Cartas

No sotão cheio de partículas de pó, com a mobília que outrora era de cerejeira - hoje está como a neve, branca... - quase que poderia criar desenhos nela, como aqueles que faço na janela da cozinha, quando faz frio e o meu bafo quente comprime a janela...

...escondo numa caixa de cartão, semi comida pelos bichinhos do papel, as lindas cartas de amor que me escreveste.
Guardei-as todos estes anos, enquanto esperava pelo teu regresso em vão, atacas com uma fita de cetim, de um cor-de-rosa tão delicado e ingénuo...Guardei-as!!!

Guardei-as só para mim...

Sei de cor cada palavra escrita, pois delas alimentei-me cada dia que foi passando e assim sobrevivi à tua cruel ausência, que me matava por dentro, um a um dos meus órgãos, saboreando o teu doce palavreado.

Oh que saudades!!

Havia tanto amor, depois só ódio, raiva e dor, agora permanece o nada, o vazio...
Sou como esta caixa aqui deixada no esquecimento, sou uma lembrança de alguém que já não lembra, já não ama, já não crê...essa chama que já ninguém vê!


Cristina Espalha
23.Julho.2011

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Raiva

Afasta de mim essa raiva que te consome por dentro, que corrói tudo de bom que ainda tens...
Luta contra o que mais abominas...
Atira essa raiva, esse ódio, essa frustação, esse desgostar de tudo, o nada saber, essa insegurança constante em ti, para o fundo do mar, atada a uma pedra bem grande e pesada, para jamais vir à tona.
Enche os teus pulmões, à medida que vais respirando fundo, de ar puro, como se estivesses a refrescar-te, num dia de intenso calor, numa fonte de água límpida.
 Enche-os de paz, amor, calma, serenidade, bom senso e muita liberdade de escolha.
Porque a vida é mesmo isso, um extenso mar de escolhas!!


Cristina Espalha
15.Julho.2011

domingo, 10 de julho de 2011

Eu sei que sim...



O teu olhar triste, vazio com que me olhas
é quase como um desafio para mim.
Sei que consigo colocá-lo a brilhar,
Sei que consigo que só mostre a ternura com que me abraças durante a noite.
Sei que consigo que ganhe vida, a vida que não tens, mas que almejas ter, e que tantas e tantas noites 
ao ouvido me vieste dizer.
Sei...Sei que consigo, que façamos amor só com o olhar.
Sei que somos um só, quando estamos os dois, unicamente um com o outro e é apenas isso que vale a pena desfrutar, vezes e vezes sem conta, peso ou medida.
Sei que posso isto e muito mais, só depende de ti, o meu entrar para te ajudar.
Não deixes desvanecer o teu olhar, que eu não te deixarei "morrer".
Prometo que o faço com todo o Amor, 


Cristina Espalha
09.Julho.2011

sexta-feira, 8 de julho de 2011

TIC...TIC...TIC...TIC...




Tic...Tic...Tic...Tic...,
Lá vão os ponteiros lado a lado
marcando o compasso do relógio.
É tarde!
Lá fora o vento, descontente com este avançar,
vai batendo nas janelas para assustar.
-Quem és tu? O que queres?
-Quero-te abraçar, envolver-te em meus braços, para nunca mais te deixar.
Precisas de mim! 
Porque se de dia estás feliz, de noite entristeces...
Não te quero ver assim
pelo mal de que padeces!
Tic...Tic...Tic...Tic...,
E os ponteiros lá continuam a correr
seja por tristeza ou alegria,
o vento a soprar,
tu a sofrer
e eu a declamar...
Tic...Tic...Tic...Tic...
É hora de sonhar!!!


Cristina Espalha
(Feito a 30.Agosto.2007)