O ano começou de forma calma e pacífica.
Muito se espera deste ano, para uns poderá ser o ano prometido, para outros o ano mais difícil de ultrapassar, com a crise e a troika é só ver os preços a aumentar e a carteira a ficar cada vez mais vazia.
Os trocos começam a ser contados no início do mês e a meio há quem já não tenha para comer.
Ainda hoje, dei por mim a pensar sobre isto, aquando da minha boa acção do dia.
À entrada do Pingo Doce (passo a publicidade não remunerada), vejo um pedinte idoso, de bengala, com um ardesgastado pelo tempo e provavelmente pelas agruras da vida, com a sua mão "tremelitante" estendida, a pedir esmola - a pequena esmola que, minutos depois serviu para ir comprar algo para comer.
Assim que o vi, à entrada e depois já dentro do Pingo Doce a ter aquele gesto de enfiar a mão ao bolso das calças à procura dos trocos, para contar se chegava, disse para mim - não posso ficar indiferente, vou ajudar.
Então, dirigi-me propositadamente, para a secção da padaria, pedi um bolo, fui buscar um pacote de leite com chocolate e rezei para conseguir pagar na caixa primeiro que o Sr..
Infelizmente, despachou-se primeiro que eu e coxeando e tremendo, lá foi saíndo do supermercado.
Uma vez despachada, corri ansiosa para o alcançar e consegui!
- Assim que cheguei perto disse: À pouco vi-o na entrada a pedir...Posso dar-lhe umas coisas que comprei? É um queque e um pacote de leite.
O sr. olhou para mim, acenando com a cabeça afirmativamente e assim que lhe entreguei as coisas, reparei que os seus olhos sorriam para mim.
Não quis, nem esperei agradecimento, pois a resposta era evidente no seu olhar.
Senti-me muito bem! Acho que todos deveríamos ajudar o nosso semelhante, por mais dificuldades que tenhamos há sempre quem esteja pior que nós e não tenha sequer o que comer.
Se há coisa que aprendi com a minha falecida avó, é que onde comem 3, comem 4 ou 5, desde que haja boa vontade, tudo se consegue.
Lá diz o ditado:
"Quem parte e reparte fica sempre com a melhor parte".
E eu fiquei!!!
Com este começo de ano (com esta boa acção), só poderá querer dizer que boas coisas estarão para vir e cá estarei para as receber de braços (e carteira) abertos.
Cristina Espalha
18.Janeiro.2012
Caixinha das Memórias é um cantinho de pensamentos, desabafos, algumas citações pessoais, poemas...que diariamente tentarei colocar ao dispor do leitor que por aqui passar. Espero que este cantinho também possa ser o seu! ;)
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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Metamorfose do momento
E eis por mim aqui:
entre o silêncio das vozes que habitualmente ecoam no meu interior, o frio que ateima vibrantemente desde a pontinha dos dedos dos pés até ao nariz e a balbúrdia sonora das palavras alheias, que em nada contribuem ou acrescentam vida à minha vida, esperando a tão chegada hora de descanso psicológico.
E espero...espero...e ela não chega. Teimosa!
Queria enrolar-me nas mantas macias e quentes, como a lagarta no casulo à espera de sair borboleta, também eu queria esse aconchego.
Provavel e obviamente não saíria uma borboleta, mas de certo que saíria com mais confiança, esperança e coragem para amanhã iniciar mais um longo dia.
Cristina Espalha
17.Janeiro.2012
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Natal
O Natal passou por mim e com ele, as lágrimas que derramei...Foi apenas mais um!
Não creio que até ao presente momento tenha tido "aquele" natal especial.
Não houve árvore de natal, não houve almoço em família, não houve muitas prendas, e também não houve o banquete natalício típicamente característico num dia como este, à refeição.
O que houve então??
Bem, houve filhozes, sonhos, pudim, queques, arroz doce, que para estarem na mesa prontos a serem devorados no dia de natal, passei a consoada a fazê-los.
O que ganhei??
Uma dor nas costas tal, que mal me podia mexer, não só por ter carregado com os ingredientes (sacos pesados), como por ter estado tantas horas de pé a fazer doces, tão somente para que houvesse o que comer de diferente nesse dia.
Foi a gota de água para as minhas costas, elas não aguentaram e eu também não.
A consoada passei a fazer doces, o dia de natal de pijama e robe em frente da Tv, sozinha.
Curiosamente ou não, revejo-me assim no futuro, sozinha, em frente à Tv, natal após natal...
Cristina Espalha
26.Dezembro.2011
Não creio que até ao presente momento tenha tido "aquele" natal especial.
Não houve árvore de natal, não houve almoço em família, não houve muitas prendas, e também não houve o banquete natalício típicamente característico num dia como este, à refeição.
O que houve então??
Bem, houve filhozes, sonhos, pudim, queques, arroz doce, que para estarem na mesa prontos a serem devorados no dia de natal, passei a consoada a fazê-los.
O que ganhei??
Uma dor nas costas tal, que mal me podia mexer, não só por ter carregado com os ingredientes (sacos pesados), como por ter estado tantas horas de pé a fazer doces, tão somente para que houvesse o que comer de diferente nesse dia.
Foi a gota de água para as minhas costas, elas não aguentaram e eu também não.
A consoada passei a fazer doces, o dia de natal de pijama e robe em frente da Tv, sozinha.
Curiosamente ou não, revejo-me assim no futuro, sozinha, em frente à Tv, natal após natal...
Cristina Espalha
26.Dezembro.2011
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
"A nossa casa"
"A nossa casa, Amor, a nossa casa!
Onde está ela, Amor, que não a vejo?
Na minha doida fantasia em brasa
Constróia-a, num instante, o meu desejo!
Onde está ela, Amor, a nossa casa,
O bem que neste mundo mais invejo?
O brando ninho aonde o nosso beijo
Será mais puro e doce que uma asa?
Sonho... que eu e tu, dois pobrezinhos,
Andamos de mãos dadas, nos caminhos
Duma terra de rosas, num Jardim
Num país de ilusão que nunca vi...
E que eu moro - tão bom! - dentro de ti
E tu, ó meu Amor, dentro de mim..."
Florbela Espanca
"Soneto do Amor Total"
"Amo-te tanto, meu amor...não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e amante
Numa sempre e diversa realidade:
Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maçiço e permanente.
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei-de morrer de amar mais do que pude."
Vinícius de Moraes
Há dias difíceis!!!
Caros Amigos,
desde já peço desculpas pelo facto de não vos ter preenchido um pouco das vossas horas a ler os pedaços de pensamentos, entre outras letras e letrinhas.
Com tanto a acontecer em simultâneo, só tenho tido tempo para continuar a dar à corda os ponteiros do relógio da fome com comida, e deitar-me até mesmo antes que o João Pestana bata à porta, ou entre por uma janela.
O trabalho tem sido intenso e ainda bem que assim o é, o portátil decidiu que lhe devia dar uma prenda antecipada de Natal, mandando-o arranjar o monitor, ou quiçá ter de comprar um portátil novo, consoante o valor da reparação que me venha a ser cobrado. Deve achar que o dinheiro anda-me a nascer dentro dos bolsos.
Oh, como eu gostava que assim fosse...pôr a mão ao bolso e por magia as minhas mãos encherem-se de maços de notinhas.
Aquele negro do monitor a olhar incessantemente para mim, desmotiva qualquer um e eu não sou excepção, desmotiva-me a querer ligá-lo a um monitor externo e a escrever.
Hoje enchi-me de coragem, retorqui e dei o primeiro passo e voltei à escrita.
(Espero que não esteja só de passagem...)
Cristina Espalha
23.Novembro.2011
desde já peço desculpas pelo facto de não vos ter preenchido um pouco das vossas horas a ler os pedaços de pensamentos, entre outras letras e letrinhas.
Com tanto a acontecer em simultâneo, só tenho tido tempo para continuar a dar à corda os ponteiros do relógio da fome com comida, e deitar-me até mesmo antes que o João Pestana bata à porta, ou entre por uma janela.
O trabalho tem sido intenso e ainda bem que assim o é, o portátil decidiu que lhe devia dar uma prenda antecipada de Natal, mandando-o arranjar o monitor, ou quiçá ter de comprar um portátil novo, consoante o valor da reparação que me venha a ser cobrado. Deve achar que o dinheiro anda-me a nascer dentro dos bolsos.
Oh, como eu gostava que assim fosse...pôr a mão ao bolso e por magia as minhas mãos encherem-se de maços de notinhas.
Aquele negro do monitor a olhar incessantemente para mim, desmotiva qualquer um e eu não sou excepção, desmotiva-me a querer ligá-lo a um monitor externo e a escrever.
Hoje enchi-me de coragem, retorqui e dei o primeiro passo e voltei à escrita.
(Espero que não esteja só de passagem...)
Cristina Espalha
23.Novembro.2011
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
A vaguear...
Em sonhos descanso a carne e vagueio por quintas e quintais, lugares extraordinários, exuberantes, conheço e reconheço quem por mim se cruza.
Ganho asas e voo.
Salto rochas e rochedos sem ter medo do medo.
Que coisa fascinante, poder em algumas horas ser tudo o que gostaria e fazer tudo o que a realidade não permite.
É como se a minha alma saísse do meu corpo e ganhasse a vida - a vida que não tenho.
Até que ponto, nós seres humanos, não temos duas vidas???
Cristina Espalha
14.Novembro.2011
Ganho asas e voo.
Salto rochas e rochedos sem ter medo do medo.
Que coisa fascinante, poder em algumas horas ser tudo o que gostaria e fazer tudo o que a realidade não permite.
É como se a minha alma saísse do meu corpo e ganhasse a vida - a vida que não tenho.
Até que ponto, nós seres humanos, não temos duas vidas???
Cristina Espalha
14.Novembro.2011
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