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sexta-feira, 4 de maio de 2012

Deus


Oh Deus, ser celestial
abarca-me em teus braços calorosos, aconchega-me
dá-me um pouco do teu colo tranquilizante, onde me deito sem malícia
coloca sobre mim essas tuas mãos sagradas, que me protegem de todo o mal,
e abençoa-me com o teu imenso Amor.
Dai-me um porto seguro onde possa repousar
e recarregar energias,
não me deixes agonizante
quer seja noite ou dia.
Ajudai-me a seguir o melhor caminho
no meio de tantos cruzamentos que tem a vida,
e nunca me deixes sozinha
com os meus pensamentos.


Cristina Espalha
04.Maio.2012

quinta-feira, 3 de maio de 2012

"Folha Seca"


"Folha seca, desprezada,
Em turbilhão vagabundo, 
Vôas leve, descuidada
- Coisa vaga pelo mundo.

E ressaltas sem um queixume, 
Num virote, desgarrada.
Folha seca, inútil coisa, 
Arrastada, amarfanhada!

És fugaz como o amor, 
Passageira como a vida, 
Corres louca, desvairada, 
Sem parança nem guarida.

Folha seca, peregrina,
És como o ciclo da vida,
Cumprindo efémero destino.
Oh, eterna ilusão perdida!

Folha seca sem esperança
Pelo vento agreste levada,
Ao acaso, sem destino,
És minh'alma amargurada."



De Mário Furtado
in Corpo Pervertido
em mágoa pura

O Amanhã


É difícil abstraír-nos do poder que a tristeza tem sobre nós quando fechamos a porta e lá fora deixamos o Mundo que desconhece a nossa outra face.
A porta fechou-se e cá dentro, rodeada de paredes brancas, vazias, que nada dizem, apenas ouvem...

...e que por momentos parecem amistosas, por outros autênticos carrascos, descarrego a dor que me acompanha, tiro a máscara que todos conhecem e a que todos lhes apráz vivamente.
Choro como uma criança pequena, emociono-me ouvindo música, pensando no que partiu, no que deixou de ser, no que talvez não regresse.

O tempo passa a uma velocidade estonteante, a idade aumenta, e, comigo permanece o "dom" de tentar chegar a todos, e a todos de alguma forma ajudar, mas tenho pena que "esse dom" não tenha poderes mágicos e cicatrizantes em mim.

E depois de me distraír ao tentar afastar estes fantasmas reais, aqui escrevendo, deito à noite, a cabeça no travesseiro e digo p'ra mim mesma, amanhã será outro dia, poderá ser amanhã - o AMANHÃ que tanto espero - e fecho os olhos e apago as lágrimas que chorei!



Cristina Espalha
03.Maio.2012

sábado, 7 de abril de 2012

Véspera de Páscoa

Sinto uma tristeza desmedida dentro de mim...não sei porque de repente fiquei assim...
...estava bem, mas agora não consigo parar de chorar.
Não sei se terá algo a ver com as festividades ou se é a minha alma a manifestar-se, dizendo que, não estou feliz, não tenho a vida que quero, nem tão pouco ando lá perto.
Quero ter uma casa, uma vida a dois, quiçá a três. Tenho quase 31 (anos) e não tenho nenhuma das três.
Sigo um caminho diário e monótono entre casa, trabalho e casa, trabalho e compras. Por vezes lá vou almoçar ou jantar fora, e noutras, terceiros a rodear-me em grandes paródias, mas continuo a ver tanta gente a ultrapassar e eu não tenho onde me agarrar.
Mantenho-me à espera, como à espera está, outrém que o seu click surja.
Talvez aí o meu click, emparelhado, tenha pernas para andar e algo se construa.

Cristina Espalha
07.Abril.2012

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Sinto falta de ti!

Que saudade desse teu tocar no meu cabelo, com as tuas mãos enrugadas das agruras da vida, e lentamente passavas o pente, de cima para baixo, tão devagarinho que quase nem sentia...
...baixinho, dizias: "já está bom", "tens um cabelo bonito"... e eu ao sabor de todo o cuidado que tinhas ao pentear, e por mais que soubesse que nada mais havia a fazer, insistia contigo, dizendo: "ainda não está, falta aqui deste lado", e lá continuavas a brincar com o cabelo, o jogo das carícias.

Que saudades tenho em mostrar a minha vaidade, quando comprava roupa nova, ou quando cortava o cabelo...e lá dizias tu: "estás bonita..."

Falaste muito, metade não ouvi, e quando deixei de ouvir, bateu a saudade de ti, do pouco que ainda dizias, e a importância que isso tinha, e tem para mim.
Resta-me a lembrança da tua voz ao falares assim e do teu rosto que perdi.

Desculpa...


Cristina Espalha
02.Abril.2012

sexta-feira, 30 de março de 2012

A Gula e o Aniversário

A minha Gula fez-se literalmente ao Aniversário do meu Pai, sem dó nem piedade, mostrou-se imperativa e eficaz.
Não deixou espaço no tempo, nem no Bolo em si, apenas restou o vazio de um prato com vestígios de umas tímidas migalhas.
Os morangos ganharam pernas e voaram, quando dei por mim, até eles tinham desaparecido...
A minha ira depressa foi apaziguada, quando olhei sem querer para a minha barriga, e pude ver a minha gula saciada.
Muitos foram aqueles, que apenas contemplaram com o olhar, mas verdade verdadinha não há nada como o provar.
Meu pai fez anos, os Parabéns foram cantados e o bolo e os morangos foram papados!!!

Deliciem-se com a imagem e chorem por a sobrevivência do bolo ter durado um dia.

Cristina Espalha
30.Março.2012

segunda-feira, 26 de março de 2012

Queda de um Anjo



Voas, voas, com as tuas delicadas asas, frágeis como o vento que te leva, de poiso em poiso...

Não voes muito alto, que as alturas causam vertigens e as vertigens quedas, e as quedas a destruição do teu ser angelical.

Voa, voa, em plano baixo, acompanha as aves, flui, sente a energia e a força da união, sê a força que te falta e emerge das cinzas, tal fénix esquecida...
...e transforma esse teu mundo quebradiço, numa estrutura de sólidas fundições.

Esquece quem tu és, mas lembra-te sempre de quem poderás vir a ser, com ou sem asas.


Cristina Espalha
26.Março.2012