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quinta-feira, 10 de maio de 2012

Atracção


Ai, ai, ai que vontade louca e desenfreada ando tímidamente a controlar, 
essa vontade de te agarrar, encostar-te à parede,
lançar-te o meu olhar mais sensual e beijar-te.
Um beijo longo/demorado, com tudo o que se possa imaginar.
Será que resistias? Ou será que te rendias ao calor voráz do meu peito amassado em ti?
Imagino a tua respiração ofegante de quem não consegue controlar a situação, os teus braços querendo afastar-me como se afasta o fruto proibido, mas ao mesmo tempo querendo ter a força para ceder, puxando-me para ti.
Dá-me o prazer de te manteres inerte, para que possa finalmente saborear-te.
Quero saber a que sabe o teu corpo, sentir o teu cheiro, se beijas como um animal selvagem...ou se essa tua pose perante tudo e todos é apenas reflexo da tua meiguice natural.
Gosto do teu olhar. Gosto do teu sorrir. Atrais-me!


Cristina Espalha
09.Maio.2012

Incerteza


Por momentos deixo, de te ouvir e abstraío-me.
A tua voz continua a perpetuar e a ressoar nos meus tímpanos, mas estou longe.
As palavras entram e andam por lá a dançar, parecem crianças tontas, aos pulos.
Os meus pensamentos esvoaçam à medida que olho para ti...e perco-me a pensar se haverá mais caminho a seguir ou se já cheguei ao término da linha que nos conduz.
Penso, penso e torno a pensar enquanto o meu olhar fixou o teu.
Sucinta a minha resposta: Não sei...
As ambições/desejos são tão díspares, que racionalmente aceno com a cabeça afirmativamente - eis chegado The End, mas o coração atraiçoa-me pelas costas - a minha verdadeira fraqueza - e o teu olhar catito, piscam-me o olho e dizem-me: continua.
Estaremos então, perante uma fase de turbulências(?), Condenados à despedida ou ainda temos muita coisa p'ra ser vivida??



Cristina Espalha
08.Maio.2012

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Deus


Oh Deus, ser celestial
abarca-me em teus braços calorosos, aconchega-me
dá-me um pouco do teu colo tranquilizante, onde me deito sem malícia
coloca sobre mim essas tuas mãos sagradas, que me protegem de todo o mal,
e abençoa-me com o teu imenso Amor.
Dai-me um porto seguro onde possa repousar
e recarregar energias,
não me deixes agonizante
quer seja noite ou dia.
Ajudai-me a seguir o melhor caminho
no meio de tantos cruzamentos que tem a vida,
e nunca me deixes sozinha
com os meus pensamentos.


Cristina Espalha
04.Maio.2012

quinta-feira, 3 de maio de 2012

"Folha Seca"


"Folha seca, desprezada,
Em turbilhão vagabundo, 
Vôas leve, descuidada
- Coisa vaga pelo mundo.

E ressaltas sem um queixume, 
Num virote, desgarrada.
Folha seca, inútil coisa, 
Arrastada, amarfanhada!

És fugaz como o amor, 
Passageira como a vida, 
Corres louca, desvairada, 
Sem parança nem guarida.

Folha seca, peregrina,
És como o ciclo da vida,
Cumprindo efémero destino.
Oh, eterna ilusão perdida!

Folha seca sem esperança
Pelo vento agreste levada,
Ao acaso, sem destino,
És minh'alma amargurada."



De Mário Furtado
in Corpo Pervertido
em mágoa pura

O Amanhã


É difícil abstraír-nos do poder que a tristeza tem sobre nós quando fechamos a porta e lá fora deixamos o Mundo que desconhece a nossa outra face.
A porta fechou-se e cá dentro, rodeada de paredes brancas, vazias, que nada dizem, apenas ouvem...

...e que por momentos parecem amistosas, por outros autênticos carrascos, descarrego a dor que me acompanha, tiro a máscara que todos conhecem e a que todos lhes apráz vivamente.
Choro como uma criança pequena, emociono-me ouvindo música, pensando no que partiu, no que deixou de ser, no que talvez não regresse.

O tempo passa a uma velocidade estonteante, a idade aumenta, e, comigo permanece o "dom" de tentar chegar a todos, e a todos de alguma forma ajudar, mas tenho pena que "esse dom" não tenha poderes mágicos e cicatrizantes em mim.

E depois de me distraír ao tentar afastar estes fantasmas reais, aqui escrevendo, deito à noite, a cabeça no travesseiro e digo p'ra mim mesma, amanhã será outro dia, poderá ser amanhã - o AMANHÃ que tanto espero - e fecho os olhos e apago as lágrimas que chorei!



Cristina Espalha
03.Maio.2012

sábado, 7 de abril de 2012

Véspera de Páscoa

Sinto uma tristeza desmedida dentro de mim...não sei porque de repente fiquei assim...
...estava bem, mas agora não consigo parar de chorar.
Não sei se terá algo a ver com as festividades ou se é a minha alma a manifestar-se, dizendo que, não estou feliz, não tenho a vida que quero, nem tão pouco ando lá perto.
Quero ter uma casa, uma vida a dois, quiçá a três. Tenho quase 31 (anos) e não tenho nenhuma das três.
Sigo um caminho diário e monótono entre casa, trabalho e casa, trabalho e compras. Por vezes lá vou almoçar ou jantar fora, e noutras, terceiros a rodear-me em grandes paródias, mas continuo a ver tanta gente a ultrapassar e eu não tenho onde me agarrar.
Mantenho-me à espera, como à espera está, outrém que o seu click surja.
Talvez aí o meu click, emparelhado, tenha pernas para andar e algo se construa.

Cristina Espalha
07.Abril.2012

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Sinto falta de ti!

Que saudade desse teu tocar no meu cabelo, com as tuas mãos enrugadas das agruras da vida, e lentamente passavas o pente, de cima para baixo, tão devagarinho que quase nem sentia...
...baixinho, dizias: "já está bom", "tens um cabelo bonito"... e eu ao sabor de todo o cuidado que tinhas ao pentear, e por mais que soubesse que nada mais havia a fazer, insistia contigo, dizendo: "ainda não está, falta aqui deste lado", e lá continuavas a brincar com o cabelo, o jogo das carícias.

Que saudades tenho em mostrar a minha vaidade, quando comprava roupa nova, ou quando cortava o cabelo...e lá dizias tu: "estás bonita..."

Falaste muito, metade não ouvi, e quando deixei de ouvir, bateu a saudade de ti, do pouco que ainda dizias, e a importância que isso tinha, e tem para mim.
Resta-me a lembrança da tua voz ao falares assim e do teu rosto que perdi.

Desculpa...


Cristina Espalha
02.Abril.2012